O Perfeccionismo e o baixo desempenho

Quando errar não é uma opção, não existe aprendizado, criatividade ou inovação”. Essa é uma frase de Brene Brown em seu livro “A Coragem de ser imperfeito – Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é”. Recomendo esse livro para qualquer pessoa que queira fazer um bom trabalho, dando o melhor de si para alcançar uma boa performance, sem sofrimento.

Errar é humano, já diz o velho ditado popular, mas para quem busca a perfeição em tudo que faz, é muito difícil lidar com os erros.

Querer ser perfeito e fazer tudo de maneira “perfeita”, é muitas vezes, sinal de estagnação, de procrastinação e baixo desempenho. Sabe aquele relatório que não fica pronto nunca? Quando fica pronto, depois de 10 revisões, você entrega atrasado e ainda por cima, com o sentimento de que não estava bom, não estava “perfeito”. Ou aquele projeto que não avança, pois você já marcou várias reuniões para rediscutir se o design pode ficar ainda melhor?

Mas se houvesse mais tempo, ou menos trabalho e tanta responsabilidade, você cumpriria o prazo e faria um trabalho perfeito!

Perfeccionismo e falta de tempo

Mas esse tempo não chega nunca! O tempo é o bem mais raro e escasso e para os perfeccionistas, ele quase inexiste!

O perfeccionista é viciado em buscar informações corretas, precisas. Muitas vezes, quando consegue uma, busca outra para validar a primeira. Com isso, ele muitas vezes se perde nesse mundo de informações e dados, e quando vê, o prazo para entrega do seu projeto ficou para trás, o cliente já desistiu da compra, alguém já lançou um produto similar, e por aí vai.

O perfeccionismo consome o tempo, levando ao adiamento de outras tarefas, postergando responsabilidades e procrastinando na tomada de decisões. Isso tem um impacto negativo no desempenho, pois depois de um tempo, aquilo que não era importante e urgente, se torna urgente e importante. E as coisas se acumulam.

Impacto emocional

A baixa produtividade e baixo desempenho são terríveis para o perfeccionista. Ele entra em um processo de intensa entrega física e emocional, trabalhando longas horas para vencer os prazos, na tentativa de superar as dificuldades causadas por todo esse problema.

Isso gera uma enorme frustração, pois há uma sensação de que está sempre correndo “atrás do prejuízo” e que “não sou bom o suficiente”. Na verdade, para o perfeccionista, nada é e está bom o suficiente.

A sensação de não ser bom o suficiente associada a de que não está dando conta de tudo que tem para fazer, geram sentimentos negativos sobre si mesmo e sobre o se que faz, baixando a estima.

A baixa auto estima por si só já gera vários problemas emocionais, e associada à baixa performance e problemas que isso causa no ambiente de trabalho, impacta negativamente na capacidade de raciocínio, na qualidade de atenção e foco, baixando consideravelmente o nível energia. Isso é estresse e burnout.

O que está, de fato, por trás do perfeccionismo?

O medo imenso da crítica e do julgamento do outro. Isso é o que está por trás da busca pela perfeição.

Temos medo de mostrar que não somos bons o suficientes, pois isso nos expõe, mostra nossa fraqueza, nossas imperfeições e nos deixa vulneráveis. Temos muito medo da crítica e do julgamento do outro.

O que mais dói nos perfeccionista, é a voz interna dizendo “Se não estiver bom, o que fulano vai falar de você?”. “Se você falhar e errar, o que dirão de você?”. Essas vozes normalmente acompanham os perfeccionistas pela vida toda. Elas vêm da infância, da forte crítica e julgamento do meio em que viviam. Ambientes super protetores, controladores e rígidos, geram indivíduos perfeccionistas

Por trás do Medo

Por trás do medo de errar, da crítica e do julgamento, está uma grande necessidade de aprovação, de aplausos, e de reconhecimento. O perfeccionista normalmente, não acolhe a si mesmo.

Por isso temos tanto medo de errar e buscamos a perfeição, para nos proteger até mesmo de nossas críticas internas e isso nos deixa vulneráveis. No entanto, é justamente em nossa vulnerabilidade que está nossa força. É no reconhecimento de nossa humanidade e portanto, de nossa imperfeição, que está nossa capacidade de aprender. Aprendemos muito com os acertos, mas ainda mais com os erros.

Superar esse medo, enfrentar nosso ego e encarar nossas vulnerabilidades de frente é a única saída para ir do perfeccionismo ao “fazer o melhor”, sendo tolerante com os próprios erros e acertos.

Como superar o perfeccionismo?

O primeiro passo é perceber que se é perfeccionista. A maioria das pessoas acham que elas prezam por um bom resultado, mas não conseguem perceber que são perfeccionistas, mesmo quando procrastinam e têm enorme dificuldade de lidar com suas responsabilidades.

Isto porque, para elas, o problema está no excesso de trabalho e na falta de tempo. E está, muitas vezes. O problema é que o perfeccionismo só piora a circunstância externa que não está sob seu controle.

Portanto, reconhecer seu perfeccionismo é o primeiro passo.

O segundo, é a auto observação para perceber quando está sendo perfeccionista.

E o terceiro passo, é trabalhar com suas forças pessoais, ou forças de caráter, para melhorar sua autoestima e encontrar meios de lidar melhor com os erros; autocontrole para gerenciar sua tendência a buscar mais informações e dados, evitando a procrastinação; e otimismo para olhar para o que se faz de maneira mais positiva.

Perfeccionismo e liderança

Pessoas que buscam a perfeição tem um grau de exigência pessoal elevado e quando assumem posições de liderança e gestão, transferem essa exigência para seus colaboradores e pares, tornando a vida de quem trabalha com elas muito difícil.

Gestores assim, também procrastinam e impõe prazos não realistas à sua equipe e pior, aos seus clientes. Para alcançá-los, eles pressionam muito todas as áreas envolvidas e exercem um micro-gerenciamento contínuo e constante, para assegurar que tudo saia perfeito. Líderes perfeccionistas pouco confiam em suas equipes.

O perfeccionismo em cargos de gestão gera uma cultura pouco amigável para os erros, e como já disse a Brene Brown, sem erros, não há aprendizagem e inovação.

A medida certa da perfeição

Todos nós devemos buscar o melhor. O melhor de nós mesmo, nossa melhor entrega, nossa melhor produção, nosso melhor desempenho. Esse melhor, no entanto, deve ser pautado pelos limites de tempo e pelos prazos que temos. Afinal, de que adianta entregar algo perfeito quando já não é mais necessário, ou quando o concorrente já entregou algo bom há muito tempo e ganhou mercado à sua frente?

A necessidade de nosso cliente, gestor ou organização é o guia para o tamanho de nossa perfeição. É necessário entender com clareza todas as expectativas e prazos, e realisticamente apresentar o que pode ser feito. E dentro desse prazo, extrair o melhor de si e da equipe, fazendo o melhor que se pode com aquilo que se tem.

E saborear o resultado. Essa é a arte que combate a busca pela perfeição, pois gera bem-estar e cria segurança interna.

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